Regina Elia concede entrevista para o Portal de Educação APRENDAKI sobre sua conferência no Congresso De Educação SABER 2007 com o tema: Perdas da 1ª Infância.
Perdas da 1ª Infância, objetos transicionais
Regina Elia - 23/9/2007
Regina Elia é diretora e consultora psicológica na Educação Emocional das Crianças. Formada pela Universidade Católica de Santos. Psicóloga há mais de 15 anos, é especialista em Desenvolvimento Emocional das Crianças. É professora de Pós-Graduação do Curso de Psicopedagogia e do Normal Superior da Faculdade Santa Marina e professor convidada da UNIFESP – Departamento de Pediatria no curso de Lato-sensu em Saúde, Nutrição e Desenvolvimento Bio-Psico-Emocional aplicados à prática Pedagógica. É também escritora, conferencista, palestrante há mais de 12 anos do Sieeesp; é colaboradora de obra intelectual de várias matérias publicadas em jornais e revistas, tem sido entrevista como diversas emissoras de rádio e televisão.
Nesta entrevista sobre o tema de sua palestra no Saber 2007, Regina Elia fala de sua preocupação em contribuir com a formação daqueles que trabalham com a educação infantil. As perdas da infância são necessárias no processo de desenvolvimento saudável do bebê e precisam ser amparados por uma postura equilibrada dos responsáveis.
Aprendaki – Desde quando participa do Congresso Saber 2007?
Regina Elia – Em 2004, participei com a palestra: “Por que capacitar pessoas para lidar com bebês e crianças” e neste ano falei sobre: “Perdas necessárias da primeira Infância – Objetos Transicionais: dedinho, fraldinha, cobertorzinho, ursinho, chupeta e outros,” porque acredito ser importante para os educadores infantis ter conhecimento sobre o que teórico da psicanálise e pediatra Winnicott, descobriu sobre a importância desses objetos para a integração de uma personalidade coesa do bebê e os perigos que podem acontecer na estrutura da personalidade, caso afastem esses objetos dos bebês sem que antes eles estejam prontos para isso.
Aprendaki – O que analisou a mesa de debates da qual participou no Saber 2007?
Regina Elia – No caso da minha “mesa de debate”, discutimos a questão das “Perdas necessárias da Primeira infância – Objetos transicionais - através da escuta da opinião de outros especialistas tais como: um pediatra, uma fonoaudióloga e uma pedagoga , uma vez que estes objetos transicionais estão inseridos também nos consultórios do dia a dia destes profissionais. A mesa de debate é uma oportunidade para os ouvintes compreenderem melhor o funcionamento teórico do mundo infantil e sanarem suas dúvidas através de perguntas abertas ao público. A mesa de debate, portanto, foi um processo interativo e dinâmico.
Aprendaki – Como é possível descrever a vida emocional dos bebês? Como deve ser a educação destes pequeninos levando em consideração este fato?
Regina Elia – Os bebês quando nascem tem potencial para o desenvolvimento, crescimento e integração de uma personalidade estruturada, forte e com saúde emocional. Segundo Winnicott, basta que, para isso, que haja “uma mãe suficientemente boa” para este bebê. E no sentido winnicottiano “mãe boa significa uma mãe que é capaz de perceber as necessidades do seu bebê, ou seja uma mãe atenciosa e comum!
Aprendaki – A senhora ministra palestra com o tema “Por que capacitar pessoas para lidar com bebês e crianças”. Os cuidados das pessoas que lidam diretamente com a infância têm influência sobre a formação da identidade dos mesmos?
Regina Elia – Nos últimos 12 anos, atuando, como palestrante do SIEEESP, na formação de berçaristas escolares e professores infantis já formei mais de 7.000 educadores. Minha proposta enquanto professora e psicóloga é formar e informar aos educadores, que os bebês e as crianças, além dos cuidados “puericulturais”, ou seja, trocar fraldas, dar mamadeiras, brincar, etc…, eles precisam muito mais que isso; precisam de AMOR e RESPEITO para que possam ser pessoas saudáveis emocionalmente e equilibradas. Somente assim terão uma identidade coesa, com auto-estima elevada e conseqüentemente serão pessoas amorosas.
Aprendaki – Problemas como obediência, birra, entre outros, tem relação com os cuidados que o bebê recebeu nos primeiros meses de vida?
Regina Elia – Com certeza! A criança que se sente amada não dá problemas. Amor é também colocar limites. Se eu amo uma criança e quero que ela tenha uma boa saúde, não a deixo comer chocolate na hora do almoço e do jantar. Isto não é amor, é abandono em relação à saúde dela!
Aprendaki – Como surgiu a Escola Psicológica Regina Elia? Qual é o seu papel e o que ela desenvolve?
Regina Elia – A Escola Psicológica Regina Elia surgiu da minha necessidade enquanto mãe que acabava de dar a luz a minha segunda filha e me sentia insegura diante do conhecimento que os educadores infantis pudessem ter a respeito do mundo emocional dos bebês e das crianças. Como psicóloga desejava que os Berçários Escolares e as babás que trabalhavam em residências tivessem profissionais qualificadas e capacitadas em cursos psicopedagógicos sobre o universo infantil, principalmente, na área psicológica da criança. A Escola nasceu com a proposta de profissionalizar esses educadores infantis. Esta é minha missão e minha paixão!
* Entrevista realizada pela jornalista Renata Del Vecchio, colaboradora do Portal Educacional Aprendaki
23 de Setembro de 2007
As perdas da Primeira Infância - 23/9 - 14h
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# As perdas da Primeira Infância é a mesa de debates com Regina Elia, Pedro Paulo Amaral, Heloisa Sawada Suzuki e Margaret da C. Pires.
Para que o bebê possa se desenvolver passando do processo da total dependência para atingir uma parcial independência, ele terá que passar por algumas situações de perdas que serão necessárias para a integração da sua personalidade, a fim de introjetar um “Eu” saudável e coeso.
Na fase da dependência normalmente encontramos alguns bebês que usam o polegar, a chupeta, a fraldinha ou um ursinho e segundo Winnicott, todos esses objetos transicionais tem sua função para a integração da personalidade.
Abordaremos a importância destes objetos transicionais e também a questão das angustias de separações, sejam elas, causadas pelas perdas necessárias, separações, doenças ou entrada na escola.
Abaixo algumas fotos do Congresso Saber 2007:




